meus discos favoritos de 2016

Eu já havia decidido que não faria a lista dos meus discos favoritos desse ano, pois julgava não ter acompanhado bem a safra de 2016. Acontece que, de fato, não ouvi tanta música como nos anos anteriores, mas ao ver as listas de melhores do ano publicadas em vários sites, constatei que eu havia escutado muitos dos discos listados e que ainda conhecia outros que nem sequer foram citados. Dessa forma, tomei coragem para fazer a minha.

O próprio título do post já diz, mas reforço que esta é uma lista pessoal. No entanto, nem por isso me isento de críticas e sugestões. Quero mais é saber o que vocês acharam e que discos me indicam. Claro que muita gente boa ficou de fora, mas como costumo dizer, uma lista não é uma lista se não deixar de citar algo ou alguém. Eis a minha de discos favoritos de 2016:

10° Praieiro – Selvagens à Procura de Lei
Praieiro

‘Praieiro’ é um forte exemplo de como está difícil acompanhar todos os lançamentos. Selvagens à Procura de Lei é uma das minhas bandas favoritas e eu nem sabia que eles iam lançar disco novo em 2016. Quando me dei conta, os amigos estavam compartilhando as músicas nas redes sociais. Foi uma grata surpresa.

09° Atlas – Baleia
Atlas

‘Atlas’ também seguiu o exemplo de Praieiro. Os amigos compartilharam o videoclipe de ‘Volta’ nas redes sociais (por sinal um dos melhores videoclipes do ano), e só então fiquei sabendo que eles iam lançar disco novo.

08° Arco & Flecha – Iara Rennó
Arco & Flecha

A Iara Rennó foi uma descoberta de 2016. A conheci por acidente acessando um site por acaso (não lembro qual). No site havia a música ‘Mama-me’, que eu adorei logo na primeira ouvida. Fui pesquisar e descobri que ela havia lançado dois álbuns em 2016, um chamado ‘Arco’ e o outro ‘Flecha’. De tão bons, resolvi colocar os dois aqui.

07° Remonta – Liniker e os Caramelows
Remonta

Liniker já havia me ganhado com seus vídeos na internet, então ‘Remonta’ era um disco que eu já estava esperando. Ouvi logo no primeiro dia de lançamento. Lembro bem que parei tudo o que estava fazendo e fui me balançar calmamente na rede enquanto ouvia.

06° Palavras e Sonhos – Luiz Tatit
Palavras e Sonhos

Luiz Tatit é tão recluso que, por mais que eu pesquise sobre ele na internet, quase não consigo informações sobre o que anda fazendo. Descobri que o compositor havia lançado disco novo porque recebi uma notificação do Spotify por e-mail. ‘Palavras e Sonhos’ foi apresentado logo no início do ano e, quando o ouvi, tive logo a certeza de que se fosse fazer minha lista anual de discos favoritos ele estaria entre os escolhidos.

05° Bandida – MC Carol
bandida

Eu já conhecia MC Carol, mas nunca tinha ouvido nenhuma música dela. Karol Conka havia prometido que lançaria um disco novo em 2016 (agora adiado para depois do carnaval de 2017), então eu fiquei na cola dela nas redes sociais para ouvir o disco novo assim que saísse. No entanto, o que ela acabou divulgando foi uma participação na música ‘100% Feminista’ da MC Carol, que eu ouvi e gostei muito. Dias depois, a mesma Conka divulgou que havia sido lançado ‘Bandida’, o novo disco da MC Carol, que para mim, foi um dos trabalhos mais significativos e corajosos do ano.

04° Ainda Há Tempo – Criolo
Ainda Há Tempo

‘Ainda Há Tempo’ foi lançado por Criolo em 2006, mas as canções ganharam uma roupagem completamente nova e o álbum foi relançado esse ano. As músicas ficaram tão diferentes do anterior que não consigo considerar os dois como um mesmo trabalho. Para mim, o ‘Ainda Há Tempo’ de 2006 é um e o ‘Ainda Há Tempo’ de 2016 é outro. Foi sem dúvida um dos discos que mais ouvi nesse ano – incluso na lista mesmo não sendo teoricamente um trabalho inédito.

03° Tropix – Céu
Tropix

Gosto muito da Céu, mas confesso que quase não a acompanho, mesmo apreciando todos os seus discos. Não sei praticamente nada sobre ela e isso é ótimo, afinal, só o que importa é a música. ‘Tropix’ é incrível e o ouvi muitas vezes no carro enquanto dirigia – sinal de que eu realmente aprovei.

02° MM3 – Metá Metá
MM3

Metá Metá foi outra descoberta de 2016 e até me sinto envergonhado por ter demorado tanto para conhecer essa banda. Se ‘Tropix’ tocou muito no carro, ‘MM3’ tocou até em ônibus durante viagem para outro estado. Se coloco um disco como trilha-sonora para uma viagem é porque eu mais do que gosto, amo. ‘MM3’ também foi o disco que eu mais indiquei para os amigos neste ano e que agora estou indicando para vocês.

01° Canções Eróticas de Ninar – Tom Zé
Canções Eróticas de Ninar

No ano em que Tom Zé lança disco, ninguém fica a frente dele nas minhas listas de melhores do ano. ‘Canções Eróticas de Ninar’ – por sinal, também o melhor título de 2016 – não era um disco que estava sendo esperado. Feito em segredo, só foi divulgado poucos dias antes do lançamento. Que Tom Zé é meu cantor favorito todo mundo já sabe, mas foi só em agosto que o vi ao vivo pela primeira vez. Foi em um show em João Pessoa-PB. Fui especialmente para vê-lo e realizei um dos meus maiores sonhos. Ao final do show, além de conversar com ele, ainda consegui falar com Daniel Maia, que é guitarrista e produtor dos discos do Mestre. Consegui arrancar de Daniel a confissão de que seria lançado um novo álbum em breve. Fui ao show achando que quando saísse já poderia morrer, pois finalmente havia testemunhado o Pai da Invenção em exercício. Entretanto, saí convicto de que não poderia morrer antes de ouvir o novo álbum. No final de novembro, Tom Zé ainda se apresentou em Fortaleza-CE e nem o mais otimista dos otimistas conseguiria prever que eu o veria duas vezes em um ano só. Musicalmente falando, 2016 foi mesmo muito especial.

Amor Geral - Brutown - Acústico Oficina Francisco Brennand - Boogie Naipe

Antes de finalizar, gostaria de citar rapidamente alguns discos que ficaram de fora, mas que ouvi (e gostei) bastante. Foram eles: ‘Amor Geral’, da Fernanda Abreu, ‘Brutown’, do The Baggios e ‘Acústico Oficina Francisco Brennand’, d’O Rappa – este último, em especial, eu deixei de fora por ser um disco ao vivo. Acho que também vou chorar a ausência de ‘Boogie Naipe’, do Mano Brown, que com vinte e duas faixas foi lançado a menos de um mês do fim do ano e que eu ainda não tive tempo suficiente para ouvir com calma. Para 2017, não tenho muitas expectativas, além do já citado álbum da Karol Conka e do novo trabalho do Sepultura, que está marcado para sair em 13 de janeiro. No mais, espero que tenham gostado. Até a próxima, abraçaço.

surpresa x expectativa

Não sou tão velho assim, afinal, “só” vivi duas décadas até agora. Ademais, quem nasceu antes de mim deve entender. Na infância e adolescência, quando um filme era lançado, eu quase sempre era pego de surpresa. O que me despertava para os filmes que estavam em cartaz geralmente era o burburinho que se formava sobre ele ou a indicação de algum amigo: “você já foi ver o filme tal que está nos cinemas?”. O fato de a internet ainda não fazer parte da minha vida naquele período justifica muita coisa. De toda forma, era uma época em que as produções ficavam muito mais tempo em cartaz. Talvez tendo em vista que tivéssemos tempo suficiente para saber que tal filme estava nos cinemas e conseguir ir antes que fosse substituído por outro ou porque a produção cinematográfica (que já era intensa) não era tão acentuada quanto hoje.

Atualmente, eu nem sei o que vou fazer da minha vida amanhã, mas, se quiser, posso saber quais filmes já estão programados para serem lançados nos próximos três anos e quais trilogias ou franquias estarão finalizadas daqui uma década. Como se não bastasse, também é possível saber que trailers, veja bem, que trailers serão lançados até o ano que vem para produções que devem sair em 2018. Enquanto tudo isso não acontece, um tsunami de outras informações vai chegar antes do filme propriamente dito, coisas do tipo “o diretor será substituído”, “ator foi escalado para o papel tal”, “roteirista briga com estúdio”, “atriz foi confirmada para o papel da personagem tal”, “diretor é novamente substituído”, “cantor ou cantora tal (geralmente o/a do momento) irá gravar a canção tema”, “filmagens só devem começar no ano que vem”, “‘vaza’ foto dos bastidores”, “são divulgados cartazes individuais para todo o elenco do filme”, “o filme só deve estrear em 2020 mas os estúdios já confirmaram que haverá uma continuação em 2025”, etc.

Em relação a alguns filmes de super-heróis (não que eu os assista), você até sabe por antecedência que alguém do time protagonista vai morrer. Olha que absurdo! Você entrar na sala do cinema já sabendo que alguém vai morrer e ficar o filme todo tentando adivinhar quem será. Não seria muito melhor ser pego de surpresa? Você está lá, vendo o filme e de repente, pá! Fulano morre. Isso é incrível! Muito melhor do que você estar vendo o filme e quando o personagem morre você pensar consigo “eu sabia que seria ele” ou “imaginava que seria o outro”, o que não deixaria de ser uma mini surpresa, no caso da segunda opção, mas jamais uma surpresa autêntica.

Não sou um desocupado (bem que gostaria de ser), mas tenho muito que fazer e, mesmo que não tivesse, tenho certeza de que não consumiria esse tipo de “informação”. Não ia ficar acompanhando cada foto de bastidor, cada trailer. Entendo que fã é fã. Eu mesmo, quando o assunto é música, gosto muito de acompanhar as notícias das gravações dos álbuns das bandas que admiro, saber quem serão as participações especiais, ver a arte da capa, ouvir o primeiro single (que geralmente é lançado antes do álbum ficar pronto), esse tipo de coisa. Todavia, ao contrário dos filmes, as bandas (pelo menos as que eu escuto) gostam de fazer muito suspense com seus lançamentos. Elas gostam de surpreender. Há quem lance álbum sem que ninguém estivesse esperando. Olha que coisa maravilhosa: você acordar um belo dia e descobrir que uma das suas bandas favoritas lançou disco novo. É uma surpresa indescritível. Contudo, faz tanto tempo que não posso ficar fuçando sites de música que, quando alguém lança disco novo (mesmo avisando previamente), eu sou pego de surpresa do mesmo jeito. No início desse mês saiu o disco novo dos Selvagens à Procura de Lei, ‘Praieiro’, e eu nem sabia que iam lançar álbum novo. Tá incrível! Recomendo! E querem saber? Vou continuar assim, sem acompanhar. Se algum dia eu tiver tempo para navegar na internet por sites de música, vou usar esse tempo para ler meus livros e continuar sendo pego de surpresa. Que venham as próximas!

Na universidade, tive que lidar com muitas revelações de enredo. No entanto, estavam sendo discutidos em sala de aula filmes clássicos, que se eu não tinha visto até então era por culpa minha. O que estava em jogo não era propriamente o enredo do filme e sim como ele foi feito, então sempre nos interessava saber como o diretor conseguiu realizar tal cena ou como o montador solucionou tal problema. Realmente, não me interessa saber como será o cartaz ou quem gravará a canção tema, por exemplo. Se o filme é de uma grande produção de estúdio internacional, também não me interessa saber quem vai dirigir, porque nessas ocasiões o diretor é quase sempre um simples capacho fazendo um filme por encomenda. Interessa-me a atividade dos diretores do circuito independente ou dos diretores consagrados que, mesmo trabalhando para um grande estúdio, conseguem se impor e fazer do seu jeito. Em suma, o que interessa mesmo é o filme.

Se há uma frase que todo mundo já disse ou ouviu foi essa: “não julgue um livro pela capa”. Por que será então que as pessoas fazem tanta questão de julgar um filme pelo trailer? O trailer é como se fosse a capa de um filme: mesmo que seja ótimo, não significa que o filme será, assim como não significa que, se o trailer for ruim, o filme também deve ser. Poderia passar bastante tempo aqui citando trailers que são melhores do que seus respectivos filmes. Todo mundo já deve ter sido enganado por um trailer maravilhoso. É puro marketing. Seria muita ingenuidade da minha parte continuar assistindo essas propagandas enganosas. Resultado: não assisto mais trailers. As únicas exceções são quando vou ao cinema e eles passam antes da sessão ou quando eu já vi o filme e decido conferir o seu trailer.

Pode parecer radical, mas eu não leio nem sinopses. Quando vou ao cinema, o motivo é sempre o (a) diretor (a). Se é um (a) diretor (a) que eu gosto e tem uma obra consistente, sei que são pequenas as chances de jogar meu dinheiro fora. Além disso, existem muitas formas de um filme me chamar atenção, seja por ter como protagonista um ator/atriz que gosto bastante, seja porque ganhou algum prêmio, seja por estar em listas de melhores filmes, seja pela curiosidade do título, seja por indicação de amigos, seja por ter feito parte de algum movimento cinematográfico, seja por ter sido adaptado de algum livro que eu gosto, por ser de um determinado país, enfim, até a intuição vale. Quando o assunto é cinema, minha seletividade não é tão rigorosa como é em relação à música e à literatura.

Durante anos, pensei que os culpados por criarem tantas expectativas eram somente a mídia e os próprios responsáveis pelos filmes ao liberarem muito material prévio. Sabemos inúmeras coisas de um filme antes mesmo dele ser lançado e isso é muito ruim. Sim, eles continuam com sua parcela de culpa liberando esse tipo de material, mas é verdade também que eles não obrigam ninguém a ver nada. O que caracteriza uma culpa de mão dupla: as pessoas pesquisam por conta própria (o que praticamente anula a culpa dos divulgadores do filme). Claro que se essas propagandas enganosas não saíssem, ninguém criaria falsas expectativas e todo mundo já está feio de saber que expectativa não é algo tão bom para se cultivar. Quando alguém me fala que “esperava mais” de um filme, eu primeiramente sei que aquela pessoa é leiga (e não tem problema nenhum nisso – sempre somos leigos em alguma coisa), caso contrário, ela saberia justificar e apontar os aspectos negativos do filme. Também sei que aquela pessoa se inflou de expectativas, então grande culpa por não gostar do filme é dela. O filme não mandou ninguém esperar isso ou aquilo. Seus criadores podem até terem dito que a produção era maravilhosa e feito um trailer emocionante, mas continuar caindo nessa não dá, não é verdade?

Por que então continuar se boicotando e estragando a melhor parte que é a surpresa? Todo esse material prévio é muito mais interessante quando lido depois de assistir ao filme. Descobrir como aquela cena que você gostou foi feita, quem foram os profissionais que trabalharam por trás das câmeras, ver as fotos dos bastidores e até mesmo ficar por dentro das picuinhas que aconteceram durante a produção. Muito melhor do que aguardar o lançamento de um trailer (tem gente que ainda faz contagem regressiva para isso), assistir, postar nas redes sociais que chorou (!) e muitas vezes se decepcionar ao ver o filme. Sem contar (pasmem!) quem filma as próprias reações assistindo a um trailer. Ainda bem que na sala escura ninguém pode ver o rosto de frustração da pessoa ao lado. Contudo, quem sou eu para dizer qual a melhor forma de se ver um filme? Ademais, quem melhor para dizer o que é bom para mim senão eu mesmo? De toda forma, não sei você, caríssimo Leitor, mas continuo achando que é muito mais interessante ser surpreendido do que criar expectativas e quebrar a cara. E isso vale para tudo.

volta ao mundo em 80 videoclipes

Ando tão desinformado. São tantas coisas para fazer que não sobra tempo para quase nada. Praticamente não consigo mais ver tele-jornais e tive que abolir os programas esportivos (espero que temporariamente). Todas as minhas metas estão atrasadas: a meta literária e a cinematográfica então nem se fala. Sofri para conseguir ler quatorze livros esse ano e com tantos projetos para o segundo semestre vai ser ainda mais sofrível encontrar tempo para aumentar esse número. Não renovo minhas bibliotecas musicais há muito tempo. Venho ouvindo as bandas de sempre meses à fio. Mas, escrevendo o post de ontem sobre o disco ao vivo das Vespas Mandarinas, descobri um projeto que todos vocês devem conhecer: o Volta ao Mundo em 80 Videoclipes.

Around The World In 80 Music Videos

Pelo que pesquisei, o projeto é uma parceria entre o casal Leo Longo (diretor de programas de TV e cineasta) e Diana Boccara (roteirista e assistente de direção também em programas de TV), que decidiu rodar o mundo durante dezoito meses para filmar videoclipes com oitenta bandas de vinte países diferentes. Os escolhidas são grupos que eles ouvem e admiram em cada continente e os videoclipes são lançados toda segunda-feira. Mas o melhor disso tudo é: todos são filmados em plano sequência. Eu adoro plano sequência!

O projeto estreou com o vídeo de “Eu Era Feliz” da banda Pato Fu, seguido dos clipes das bandas Selvagens à Procura de Lei, Vanguart, Nevilton, Móveis Coloniais de Acaju, Scalene, Vespas Mandarinas, Brothers of Brazil, Vivendo do Ócio e Bidê ou Balde.

Pato Fu – Eu Era Feliz

Selvagens à Procura de Lei – Despedida

Vanguart – Eu Sei Onde Você Está

Nevilton – Noite Alta

Móveis Coloniais de Acaju – Copacabana

Scalene – Sublimação

Vespas Mandarinas – O Vício e o Verso

Brothers of Brazil – Lucky Girl

Vivendo do Ócio – Por Um Punhado de Reais

Bidê ou Balde – Fazer Tudo a Pé

Você ainda pode curtir a página do projeto no Feicebuqui e assistir aos bastidores de cada clipe no canal oficial do Volta ao Mundo em 80 Videoclipes no YouTube.