haja paciência

Costumo jantar por volta das 20:00 horas, quando já estou em casa. Acabei me acostumando por ser esse o horário em que coloco o colírio nos olhos de minha mãe, que tem glaucoma. Nesse período da noite, estou quase sempre lendo ou escrevendo no meu quarto, que fica no primeiro andar da casa. Então desço e, depois de medicar minha mãe, faço minha refeição. A cozinha fica muito próxima da sala, onde a televisão fica ligada o tempo inteiro. Essa é também a hora em que meu pai já está de volta do trabalho. Ele janta mais cedo do que eu e depois fica na sala vendo novela até ir dormir (inclusive, sua noite de sono geralmente se inicia no sofá). Ele não é surdo, mas tem sua audição comprometida. Dessa forma, quando ele está assistindo, o aparelho de TV fica com o dobro do volume utilizado pelos outros moradores da casa. Da cozinha, ouço tudo o que se passa na novela. Então, sem querer, quase sempre estou por dentro das tramas.

Atualmente, neste horário, é transmitida uma novela chamada ‘Haja Coração’, em que um núcleo em específico tem me irritado bastante. Antes de falar sobre isso, tive que fazer uma rápida pesquisa para poder escrever esse texto. A novela é escrita por Daniel Ortiz, livremente inspirada em ‘Sassaricando’ de Silvio de Abreu, transmitida originalmente entre 1987 e 1988. ‘Haja Coração’ é a 88ª “novela das sete” exibida pela Rede Globo. Eu não sabia o nome dos atores e atrizes e muito menos o nome das personagens, então, se por acaso eu escrever alguma informação errada e vocês perceberem, por favor, me avisem que logo corrijo.

Pois bem, não é o fato de que o quarentão Malvino Salvador, protagonista da novela, tenha conseguido se transformar em um piloto de corrida nessa idade que vem me irritando, mesmo me incomodando com este elemento ficcional pouco crível, haja vista que com quarenta anos os pilotos profissionais já estão começando a planejar suas aposentadorias. Minha irritação também não é com a personagem de Tatá Werneck que, de tão exagerada, não dá nem para chamar de caricata. O que de fato vem torrando minha paciência é o núcleo de Sabrina Petraglia, Marcos Pitombo e Karen Junqueira que, pelo visto, se tornou um dos pontos principais da trama, pois toda noite escuto a mesma ladainha de seus personagens.

Felipe, interpretado por Pitombo, é disputado por Shirlei, personagem de Petraglia e Jéssica, vivida por Junqueira. Na trama, Shirlei é uma mulher virgem que nunca havia beijado na boca até conhecer Felipe – não sei qual a idade da personagem, embora sua intérprete, Sabrina, tenha trinta e três anos na vida real. Até aí, tudo bem, pois cada pessoa tem o seu tempo próprio e isso deve ser respeitado. Porém, a novela tem feito uma intensa e irresponsável exaltação a virgindade feminina, retratando Shirlei como uma garota pura (a famosa mulher para casar). Em um determinado capítulo, Felipe estava revelando a outro personagem – que eu não sei quem é, pois não vejo as imagens e só ouço as cenas – que tinha sido o primeiro homem a beijar Shirlei. Mesmo que estivesse usando um ponto de vista romântico, ele tratava o caso como uma conquista, um troféu, algo do que se orgulhar. Ele estava feliz por, dentre tantas mulheres com quem já ficou (na ficção), havia encontrado uma donzela imaculada.

Apesar dos pesares, Felipe é um rapaz de bem e realmente aparenta estar apaixonado por Shirlei e ela por ele. Todavia, não nos enganemos: seu encanto pelo puritanismo da moça, juntamente com a forma dela de se comportar atrelada a uma aparência virginal, é um oceano de conservadorismo. Incomoda-me profundamente também o fato de Shirlei ser tratada como uma pobre coitada por ser uma empregada doméstica. Sua profissão e condição social, inclusive, são largamente utilizadas por Jéssica, sua “rival”, para humilhá-la. É nesses momentos que Felipe, o príncipe encantado, entra em cena montado em seu cavalo branco para proteger sua amada que não consegue se defender sozinha. Felipe dá lições de moral em Jéssica através de falas dramaturgicamente pobres que revelam todas as “boas intenções” do autor em prestar um serviço de inclusão social em sua novela. Entretanto, ele só tem reforçado estereótipos e clichês. Um amador não faria pior.

Outro fato difícil de engolir, ou melhor, inaceitável, é que ainda encontremos num folhetim televisivo duas personagens femininas brigando por um homem. Jéssica, uma mulher rica, e que tem tudo o que quer, só estará feliz quando casar com Felipe. Shirlei, uma mulher pobre, e que não teve as mesmas oportunidades de Jéssica, também só ficará feliz quando casar com Felipe (o que a fará, consequentemente, atingir outra condição social através do casamento e não com os próprios méritos – embora essa não seja a intenção da personagem). Acredito que as atrizes não se orgulham de interpretar esses papéis, mas necessitam fazê-lo, afinal, precisam trabalhar e bons personagens femininos são desde sempre muito raros, quase que beirando a extinção.

Frequentemente me pergunto em que ano estamos para ter certeza de que não estou vivendo na Idade Média. Não sei vocês, mas considero ultrajante que um texto tão machista e reacionário como o deste núcleo de ‘Haja Coração’ ainda seja escrito nos dias de hoje. Pior ainda, que uma emissora de TV, de alcance nacional (e internacional), produza e transmita um absurdo desses. Shirlei pode sim ser uma mulher virgem aos trinta e três anos de idade. Que mal há nisso? Porém, fico me perguntando se Felipe se apaixonaria por ela se fosse uma personagem sexualmente experiente (sei que é ficção, mas por suas falas, tenho certeza que não). Ele está encantado demais com o puritanismo da moça e com a possibilidade de ser o primeiro (e único) homem a transar com ela.

É triste ver que, com produtos como esse, a Globo consiga ser a emissora mais assistida do Brasil. Isso só reforça o quanto somos um país conservador. Felipe é apenas o retrato do típico homem que quer a todo custo ser “especial” na vida de uma mulher, caso contrário, vai sempre se enxergar como sendo “só mais um”. Fico me perguntando o que fez com que Shirlei se mantivesse virgem. Será que foi escolha (na melhor das hipóteses)? E se foi mesmo uma escolha, será que ela o fez de livre e espontânea vontade? Livre da influência da igreja? Livre da influência do conservadorismo? Livre de uma sociedade patriarcal que diz que mulher deve casar virgem? É realmente difícil acreditar que foi uma escolha livre de influências. Como se não bastasse, em certo capítulo, Shirlei estava confessando para Francesca, personagem de Marisa Orth (que acredito ser mãe dela na novela), que estava muito apreensiva, pois havia começado a namorar Felipe e logo teria que transar com ele, pois ele não ia esperar muito, afinal, “ele é homem”. O machismo se contradiz o tempo inteiro: se a mulher não for virgem, não serve para casar, mas se não transar, é trocada por outra. Realmente não consigo entender.

Fico muito triste que o machismo ainda exista. Fico triste que músicas, novelas, livros e filmes machistas continuem a ser produzidos. Fico triste que uma novela como essa ainda seja consumida em larga escala. Fico triste que ela seja consumida por parentes tão próximos a mim. É assustador que os fãs da novela não consigam formar uma visão crítica em relação ao que assistem. Toda noite, durante os trinta minutos em que fico a ouvir da cozinha o “chorume das sete” enquanto janto e lavo a louça, podem ter certeza que não deixo em paz quem está na sala assistindo. Elenco em voz alta cada comportamento machista, homofóbico e racista que noto nessa trama e em outras, acreditando que um dia eles conseguirão enxergar isso com os próprios olhos. É um luta diária. No momento, só me resta torcer para que pelo menos as próximas não sejam tão horríveis quanto essa. Não por mim, mas por quem assiste. Enquanto essa não acaba, só me resta exercitar a paciência.

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todas as mulheres do mundo

Nasci em uma família repleta de mulheres: minhas avós, um incontável número de tias, um número ainda mais incontável de primas, minha mãe, minha irmã. Mulheres negras, mulheres brancas, mulheres que foram felizes em seus casamentos, que não aceitaram os maus tratos dos maridos e que criaram os filhos sozinhas, que escolheram nunca se casar, que abandonaram a escola, que se formaram em mais de uma graduação, que tinham o trabalho como realização pessoal. Uma pluralidade sem fim.

Meu pai sempre passou o dia fora trabalhando. Fui criado por minha mãe, que trabalhou a vida toda em casa (sempre achou muito chato sair para pegar ônibus, por isso montou o próprio negócio e se tornou a própria patroa). A diferença de idade entre eu e minha irmã mais nova é de dois anos, quatro meses e vinte dias. Não tenho nenhuma lembrança de minha mãe grávida, não tenho nenhuma memória do nascimento da minha irmã, não sei qual é minha lembrança mais antiga dela, mas recordo do resguardo da minha mãe após o parto. Ela ficou doente e uma enfermeira cuidava dela, disso eu lembro. Talvez essa seja a lembrança mais antiga que tenho da minha vida. Em relação à minha irmã, a diferença de mais de dois anos não impediu que nos tornássemos verdadeiros companheiros. Não podíamos brincar na rua, então tínhamos que nos virar dentro de casa, espaço que na época ainda não era tão grande e com quintal. Também nunca tivemos animais de estimação; ou brincávamos juntos, ou sozinhos – como brincar sozinho é sempre muito chato, quase sempre optávamos pela primeira opção.

Na grande maioria das vezes, brincávamos com bola, para o desespero da minha mãe, que via as paredes da casa perderem toda a pintura ou um móvel ser quebrado de vez em quando. Minha irmã também tinha as brincadeiras dela e, para fazer com que ela brincasse de bola, muitas vezes eu tinha que ceder às suas vontades e comer as comidinhas de mentira. Tenho ótimas lembranças dessa época, em que também protagonizamos discussões colossais. Em algumas dessas ocasiões, meu pai fazia com que nos abraçássemos e fizéssemos as pazes se não quiséssemos apanhar. Nessas horas, ela sempre me abraçava e eu, idiota, relutava ao máximo. Não necessariamente por raiva dela e sim para contrariar meu pai. Desde cedo eu tive sérios problemas em acatar ordens. Esperta era a minha irmã, que trocava uma surra por um abraço. Se hoje eu tivesse que passar pela mesma situação, jamais iria preferir apanhar. Abraçar é tão bom…

Na escola, sempre estudei em turmas com um número muito maior de meninas que de meninos e sempre achei muito mais interessante conversar com elas que com eles. As garotas falam sobre tudo: livros, filmes, música, esporte, família, estudos. Até hoje estou tentando entender esses filmes misóginos em que as mulheres estão sempre falando sobre homens. Está tudo errado! Os homens sim, pelo menos a grande maioria dos que passaram pela minha vida, só sabiam falar de mulheres. Por esse motivo, sempre preferi conversar com as meninas e ter um leque de assuntos muito maior. Só na universidade que vim a estudar em turmas com mais homens que mulheres. Cinema ainda é uma profissão dominada por homens, o que é uma pena, porque sempre preferi trabalhar com mulheres e, a cada curta-metragem que faço, tento unir o máximo de profissionais do gênero feminino. Nem sempre é possível, porque as que conheço são tão requisitadas que nem sempre podem aceitar o convite por já estarem trabalhando em outro projeto.

Ademais, sempre tive ótimos amigos meninos, grandes companheiros de travessuras. Em toda a minha vida, consegui transitar muito bem entre os universos masculino e feminino. Não cheguei a contar, mas tenho quase certeza de que tenho mais amigas mulheres do que homens. Não seria capaz de dizer que a amizade masculina é melhor que a feminina, ou vice-versa: são iguais em suas diferenças. Talvez, a melhor diferença da amizade feminina seja o não medo de expor sentimentos. As amigas que fiz durante a vida nunca tiveram problema nenhum em expor seus sentimentos, nunca tiveram medo de fazer calorosas declarações no dia do amigo, de mandar emocionantes mensagens no dia do aniversário, nunca tiveram medo de expressar que gostavam de mim ou dos seus outros amigos e amigas, enfim, nunca tiveram receio de falar “eu te amo”, essas três palavrinhas juntas que podem até estar banalizadas para muitas pessoas, mas que ainda se fazem necessárias quando o sentimento é verdadeiro. Quase todos os amigos homens que tive foram incapazes de expressar seus sentimentos, não só com relação à nossa amizade. Meus amigos de escola só se permitiam abraçar em datas especiais, com o cumprimento diário tendo de ser um aperto de mão. Na universidade, conheci mais amigos diferentes, mas continuaram aparecendo aqueles que não trocam o aperto de mão por nada.

Acho que a frase “amor só de mãe” procura se justificar muito no fato de as mães não possuírem medo de expressar o seu amor pelos filhos e de não se privarem disso. Nunca vi o pai de nenhum amigo meu demonstrar carinho em público pelo filho ou pela filha, um claro efeito do machismo que os oprime e que eles nem se dão conta. As mães, pelo contrário, sempre fizeram questão de demonstrar o seu amor pelos filhos publicamente (para o constrangimento de muitos deles).

Não sou de esconder o que sinto e pretendo não cair nessa: se gosto de alguém, falo, expresso. Não há mal nenhum em dizer para um amigo que valorizamos a sua amizade, o mundo não acaba, os dentes não caem, o céu não muda de cor. Tenho pavor de pensar que um dia posso perder entes queridos sem nunca ter lhes falado o quanto foram importantes para mim. Isso deveria valer para todas as pessoas e não só em relação aos amigos, mas também aos pais, aos irmãos, aos namorados ou namoradas, aos professores. Ah, os professores! Esses mudaram minha vida. É bem verdade que tive professores horríveis também, preconceituosos, arbitrários, incompetentes, anti-éticos. Ainda conheço muitos que, com sua intolerância religiosa, tentavam convencer os seus alunos homossexuais de que eram pecadores e que deviam mudar, outros que comiam as alunas com os olhos, professores que eram verdadeiros ditadores em sala de aula com suas filosofias do medo. Falando assim, parece que só tive educadores terríveis, mas não. Justiça seja feita, a maioria deles eram excelentes, entretanto, como vivi muito em sala de aula, seja na escola, cursos, universidade, tive tempo suficiente para presenciar todo tipo de situação.

Acontece que, durante toda minha existência, convivi e convivo com muitas mulheres, caríssimos. Foi uma mulher que me amamentou, que me criou, foi uma mulher que fez minha infância mais feliz brincando comigo, foram em sua grande maioria mulheres que me educaram em sala de aula, foram minhas amigas mulheres que me ensinaram que não é feio chorar, que não é feio expressar meus sentimentos, que não é feio abraçar. As mulheres que passaram pela minha vida (tirando uma raríssima exceção) nunca me fizeram mal nenhum, nunca tentaram me prejudicar. Elas nunca me disseram para sentar como um menino, nunca me falaram que meu lugar era na cozinha, nunca tentaram me impedir de falar palavrão porque isso não é coisa de menino ou me proibiram de jogar futebol com a explicação de que este “não é esporte para menino”, nunca valorizaram minha bunda mais do que meu cérebro, nunca me impediram de trabalhar fora ou jamais disseram “tudo bem trabalhar fora, desde que isso não atrapalhe as tarefas domésticas”, nunca me aconselharam a não transar no primeiro encontro porque “homem que faz isso não é para casar”, nunca disseram que eu estava mal-humorado porque sou mal-amado, nunca justificaram meu nervosismo com TPM ou disseram que meu estresse era a falta de um pau, nunca me falaram que eu só serei completo se tiver filhos ou me chamaram de Zé Chuteira ou João Gasolina, nunca me disseram que os homens só querem casar com mulheres ricas e com bom carro ou apontaram que eu era bem inteligente para um homem, nunca disseram que saio de bermuda na rua só porque quero ser assediado ou pronunciaram a frase “homem no volante, perigo constante”, assim como também nunca disseram que a única coisa que um homem sabe pilotar é um fogão. Nunca.

Dói-me imensamente saber que todas as mulheres que conheço já ouviram essas coisas e uma infinidade mais. Sinto nojo do ser humano só de lembrar que minha irmã ainda nem havia entrado na adolescência quando os homens já começaram a olhar para ela. De pensar que logo cedo ela teve que controlar o tamanho de suas roupas para evitar o assédio por onde passasse. Sem contar que, mesmo vestindo roupas longas (nesse calor que faz o ano todo na cidade onde moro), ela ainda me pediu algumas vezes que a acompanhasse em alguns lugares para se sentir mais segura, já que com um homem do lado, os outros não iriam importuná-la. As mulheres não deveriam precisar de ninguém do lado para serem respeitadas. Lembro-me da aflição da minha mãe sempre que minha irmã saía sozinha. Certa vez, ela só permitiu que ela fosse ao shopping com as amigas se eu a acompanhasse. Eu fui, mas consciente de que isso não deveria ser assim. Eu não deveria precisar ir para que minha irmã se sentisse segura ou protegida. Ela só queria ir ao shopping tomar um sorvete com as amigas do colégio, porra! Que mundo é esse em que menininhas precisam tão cedo se defender dessa praga chamada Machismo? As mulheres desde muito cedo precisam conviver com o medo de andar na rua com roupa curta, de saírem à noite, de evitarem o falatório. Sinceramente, não quero que uma filha minha passe por isso um dia e ficaria muito feliz se minha mãe, minha irmã, minhas amigas, todas as mulheres do mundo não precisassem mais passar por isso.

Não quero que minha irmã (e todas as mulheres do mundo) seja xingada no trânsito, já que isso não faz sentido, pois a maioria esmagadora delas aprende a dirigir com homens. Eu mesmo quando tirei minha CNH, tive um instrutor homem (não havia nenhuma instrutora na auto escola). Não quero que minha mãe (e todas as mulheres do mundo) ganhe menos do que os homens para exercer a mesma função. Não quero que minhas primas (e todas as mulheres do mundo) sejam chamadas de lésbicas sempre que rejeitarem um cara na balada, até porque nenhuma mulher é lésbica só porque não está a fim de ficar com um cara, assim como a condição de ser lésbica não é algo ruim e não deve caracterizar um xingamento. Não quero que minhas amigas (e todas as mulheres do mundo) sejam agredidas por seus parceiros ou atacadas sexualmente. Se eu tiver uma filha algum dia, quero que ela (e todas as meninas do mundo) não seja ensinada como se comportar e se vestir adequadamente. Ela (e todas as mulheres do mundo) tem que portar-se como quiser, praticar o esporte que quiser, trajar-se como bem entender, exercer a profissão que quiser, ter o direito de falar palavrão se quiser, abortar se quiser, transar no primeiro encontro se quiser, frequentar o lugar que quiser.

Misoginia significa, literalmente, ódio às mulheres – não tem nada a ver com questões sexuais – e pode ou não abarcar manifestações de violência física, mas inclui sempre ataques verbais. Homens que odeiam as mulheres existem e não há como negar isso. Enquanto ditam e impõem valores e comportamentos às mulheres, esquecem que o mais adequado seria ensinar nós homens a respeitá-las. No entanto, jamais pretendo subir em um palanque para defender o feminismo, pois o tablado é delas, a linha de frente é delas, numa luta delas, constituindo um direito delas falarem e serem ouvidas. Nós homens não sabemos o que é ser mulher e nunca vamos saber, por isso, não podemos tomar seu lugar de fala. Nosso papel é sim fazer coro aos seus gritos. Elas já tiveram uma série de vitórias ao longo dos anos, mas, parafraseando Pitty, “quase não é chegar lá”. Elas estão muito longe ainda de possuírem os mesmos direitos e representação social. Por isso é tão necessário abraçar a causa do feminismo, um legítimo movimento que reivindica igualdade de gênero. Dessa forma, desejo imensamente que um dia possamos realmente vivermos em pé de igualdade, nós homens e todas as mulheres do mundo.