o L de LGBT não significa lucro

Não é de hoje que se discute muito sobre o poder de consumo do público LGBT, assim como não é de hoje que esse assunto muito me preocupa. Quero realmente acreditar que as empresas que estão atualmente usando casais gays em seus anúncios o fazem para se atualizar. Esse deve ser um gesto de adequação, e não de oportunismo. No entanto, não sou tão ingênuo a ponto de acreditar cegamente nisso. Essas estatísticas que dizem que o potencial de consumo do público LGBT no Brasil equivale a mais ou menos 10% do PIB do país são, como o próprio nome diz, apenas dados probabilísticos. Somos iguais e devemos ser respeitados apenas por que temos poder aquisitivo? Consumimos e nos endividamos como qualquer outra pessoa. Também saímos para jantar, também viajamos, também frequentamos festas, etcetera, etcetera. Esse papo de que os LGBTs configuram um cenário de melhor escolaridade e que, por isso, ocupam boas posições de mercado me parece um tanto quanto fantasioso. Admito que posso estar enganado, mas conheço poucos gays declarados presidindo grandes empresas ou ocupando cargos públicos importantes. É preciso fazer um recorte, nem todos estão inseridos entre as classes A e B. E os gays periféricos? E as outras minorias? Só ganharão representatividade na sociedade e conquistarão a atenção das empresas quando puderem consumir em grande quantidade? Torço por mais propagandas plurais, mas pelo motivo certo: porque os consumidores são, de fato, plurais. Não consigo enxergar o mercado como um defensor dos fracos e oprimidos. Sempre existiram gays no mundo, mas só agora as empresas voltaram suas atenções para esse público. Antes tarde do que nunca, eu sei. Também acredito que muitas delas estão com boas intenções, mas o consumo não pode ser a única ferramenta para inserir uma minoria na sociedade. Esse caminho é selvagem demais. Devemos ser respeitados pelo que somos: seres humanos. O respeito é nosso por direito, não devemos ter que comprá-lo.

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programado para morrer

Um amigo, que sempre consertou meus computadores, costumava dizer que preferia máquinas a pessoas. Para ele, a convivência com a tecnologia era muito mais fácil, pois quando uma máquina apresenta um defeito, é só consertá-la. Já o ser humano, além de não ter cura para todos os seus males, exige mais complexidade no tocante à convivência. Quando uma amizade ou um relacionamento amoroso, por exemplo, apresenta um desgaste ou um conflito, não podemos simplesmente formatar e começar tudo de novo. Fazer as pazes e entrar em um acordo é muito mais difícil.

Nunca concordei com esse meu amigo. Não que eu seja o ser mais sociável do mundo, muito pelo contrário, mas sempre tive problemas com certas tecnologias. Isso não significa que eu não saiba utilizar as máquinas, e sim que tenho muita dificuldade em aceitar que elas saiam intencionalmente de suas fábricas com uma data de validade para deixar de funcionar, apenas para aumentar o consumo.

Vez ou outra, eu me pergunto quando vamos gritar e nos rebelar contra a obsolescência programada. Cada vez mais empresas produzem propositalmente produtos que se tornam obsoletos ou não-funcionais em um curto período de tempo para que possamos comprar a nova geração do mesmo produto. É natural que um objeto se desgaste com o passar do tempo e pare de funcionar, mas é inaceitável que os fabricantes planejem esse envelhecimento. Acabamos por consumir mercadorias que duram menos do que a tecnologia permite.

A obsolescência programada pode ser notada com maior frequência na área tecnológica. O sistema operacional dos computadores estão se desgastando cada vez mais rápido, as baterias e carregadores de computador duram cada vez menos e o cabo dos carregadores de celular são mais frágeis do que deveriam. Qual a razão para uma marca de celulares de última geração fabricar carregadores tão vagabundos se não para nos obrigar a comprar outro aparelho? Os fones de ouvido são outros que também quebram com facilidade. Ao mesmo tempo em que essas mercadorias são planejadas para durar cada vez menos, o preço para a manutenção desses equipamentos se torna cada vez mais alto, induzido os consumidores a adquirir um produto novo.

Os fabricantes tentam se justificar apontando para o avanço da tecnologia. Por essa razão, segundo eles, estão sempre criando novos modelos. Que avanço é esse? Como pode haver tantos progressos em tão pouco tempo? Marcas lançam modelos novos apenas poucos meses após o lançamento do anterior. Antes mesmo de acabar o ano, já é possível comprar versões de carros do ano seguinte. Essa troca regular de produtos só aumenta a produção de lixo e, para piorar, como se não bastasse a humanidade estar consumindo 30% a mais do que o planeta é capaz de repor, o destino de quase 70% dos equipamentos eletrônicos descartados por consumidores de países desenvolvidos são lixões de cidades de países subdesenvolvidos. Os mais pobres, como sempre, continuam pagando a conta.

O consumo permanente tem como finalidade a criação de um consumidor cronicamente insatisfeito. Banhado pelo desejo de comprar sempre o produto mais novo, o da moda, o mais rápido e com a imagem mais moderna, o consumidor cansa cada vez mais rápido do produto que já usufruiu. Esse fenômeno é chamado por muitos de “obsolescência percebida”, e ocorre quando, antes mesmo de apresentar defeito, o consumidor considera o produto que tem em casa como velho diante de todos os novos modelos lançados a todo instante no mercado.

Os smartphones exigem cada vez mais atualizações de seus sistemas operacionais. Atualizações essas que além de não mudarem muita coisa, consomem grande parte da memória que, por sua vez, nos impossibilita de atualizar os aplicativos. Não consigo descrever o quanto isso me irrita. Depois de certo tempo, parei de atualizar o iOS, pois não havia mais memória disponível, a não ser que eu excluísse todos os aplicativos. Em seguida foi a vez dos aplicativos exigirem suas atualizações. Quando não havia mais espaço, fui excluindo os menos usados. Desde o início do ano, o WhatsApp parou de funcionar no meu celular, pois só é possível utilizá-lo em um sistema operacional mais novo. Logo mais será a vez dos demais aplicativos deixarem de funcionar. Eu não queria ter que trocar de celular agora. Não necessito do aparelho mais novo, da moda. Poderia, tranquilamente, passar mais alguns anos com meu aparelho atual, se não estivesse sendo “obrigado” a comprar um novo.

No entanto, tudo isso parece tão natural aos olhos do mundo, que até culturalmente falando podemos encontrar casos de obsolescência programada. É a música feita para tocar só no carnaval, aquele sucesso do verão, os filmes de natal ou os filmes de determinado gênero que fazem sucesso até se tornarem saturados. Atualmente, são os títulos de super-heróis e comédia pastelão. As produtoras vão usar essa fórmula e inundar as salas de cinema com filmes desses gêneros até causar uma overdose no público (vai me dizer que você não consegue enxergar o propósito por trás de tantas sequências das mesmas histórias ou livros de um só volume transformado em séries e mais séries de filmes?). Já no mercado editorial, são os livros de youtubers que estão na moda, o que tem levado muita gente a acreditar que o primeiro passo para se tornar um(a) escritor(a) é criar um canal no YouTube. Calma! Isso é só uma fase – alguém ainda se lembra dos livros de colorir? -, logo essa onda passa e não teremos que ver dezenas de biografias de adolescentes nas prateleiras das livrarias (pelo menos espero).

Contudo, sentei para escrever porque queria dissertar justamente sobre essa obsolescência cultural programada, mas está cada vez mais recorrente em meus textos desejar escrever sobre algo e acabar falando sobre outro assunto. Tal qual um pai que deseja uma profissão para um filho e o rebento acaba seguindo outra. Como eu não segui a profissão que meus pais desejavam para mim, deixo o texto livre para ele ser o que quiser. De toda forma, os dois assuntos entram no mesmo pacote: tudo está ficando cada vez mais descartável. Em consequência disso, sigo não confiando nas máquinas, ou seria em seus fabricantes? E você, antes de substituir qualquer objeto, se pergunta antes se realmente precisa de outro?

bibliofilia crônica

Peguei uma doença gravíssima. Atinge diretamente o financeiro, dói no bolso e deixa a consciência pesada. Não consigo lembrar quando começou. Quando dei por mim, estava assim. Logo eu, que durante boa parte da minha vida li livros emprestados dos amigos ou alugados em bibliotecas. Agora estou com essa mania de acumulação que chamam por bibliofilia crônica. Não tem cura, dizem. Espero que estejam enganados. Hoje, o número de livros não lidos em minha estante está bem próximo do número de livros já lidos. Em um curto espaço de tempo terei mais livros para ler do que leituras concluídas. A dependência é forte e só vai piorando com o passar dos anos. No início, nos contentamos com qualquer edição, depois passamos para o estágio de só querer uma edição específica, uma capa específica, uma tradução específica. Conforme a coleção vai crescendo, passamos a querer livros cada vez mais caros, as reedições em capa dura, os clássicos em edições de luxo, até chegar ao ponto de ansiar por raridades. Viramos ratos de sebo, verdadeiros desbravadores da Estante Virtual. Eu, por exemplo, já estou apresentando os primeiros sintomas desse último estágio da doença, se é que é o último. Algumas pessoas bem próximas a mim, outras nem tanto, estão ainda mais graves que eu. Nós doentes nos reconhecemos, nos abraçamos, nos reconfortamos, choramos juntos a mesma dor. Só um bibliófilo crônico entende o sofrimento que é salvar o endereço de uma página na Estante Virtual para comprar o livro depois e, ao voltar, constatar que ele foi adquirido por outra pessoa. Sempre fico imaginando quem foi que me causou tremenda dor. Será que é um bibliófilo também? Será que esse alguém comprou para presentear outro alguém que nem vai fazer tanta questão do livro quanto eu? Será que foi para um trabalho da universidade? Será que foi comprado sem maiores pretensões? No final, sempre prefiro acreditar que foi alguém como eu e que vai tratar o livro tão bem quanto. Só assim alimento esperanças dessa pessoa ser bem mais velha que eu, o que teoricamente aumentam as chances de ela morrer primeiro. Possibilitando, desta forma, uma nova oportunidade de adquirir o livro se o herdeiro ou a herdeira resolver se desfazer dele anunciando-o novamente na Estante Virtual. Essa agonia é bem semelhante à de ver determinado título na livraria e saber de imediato que jamais seremos um do outro. Mesmo assim prometemos, para nós mesmos e para o livro, que voltaremos para comprá-lo depois. Como se não bastasse, ainda tenho uma característica particular, ou não tão particular assim, de comprar títulos estranhos que eu mesmo nunca ouvi falar. São comprados pela intuição: um vigésimo terceiro sentido me diz que vou gostar. São escritos que eu sei que nenhum dos meus amigos gostaria de ler e que talvez até eu mesmo desgoste quando começar a folhear. Por mais tempo que eu passe sem comprar um livro novo, geralmente uma consequência da falta de dinheiro, sempre acontece uma recaída durante essas malditas promoções maravilhosas que nos permitem comprar bons livros a preços acessíveis, mas que mesmo assim nos deixam de cama, tamanha a tristeza por ainda não conseguir levar tudo. A cegueira é tão grande que nos sujeitamos a pagar um valor absurdo de frete – que daria para comprar outro livro – só para sustentar o vício. Algumas horas antes de escrever essas palavras eu tive uma recaída. Estava limpo há um mês. Sei que não é bastante tempo, mas havia prometido não comprar mais nada nesse ano. Agora é tarde para voltar atrás. Durante a próxima semana, sempre que eu estiver na rua e ver um carro dos Correios passando, irei imaginar se minha felicidade estará ali dentro rumo à minha rua, rumo à minha casa. Como quase sempre essas minhas encomendas chegam quando eu não estou presente, minha mãe é quem as recebe e as deixa sobre a mesinha de centro da sala. A mesinha deve ter meio metro de altura no máximo, mas será minha linha do horizonte sempre que eu chegar em casa. No momento passo bem, embora ainda esteja melancólico por não ter comprado todos os títulos que queria. Não posso prever quando será a próxima recaída, mas uma coisa é certa: os primeiros sintomas de abstinência vão surgir poucos minutos após retirar o invólucro dos livros novos e guardá-los na estante. Paciência.

odeio datas comemorativas

Bem que o título do texto poderia ser “odeio certas datas comemorativas”, mas achei que só “odeio datas comemorativas” chamaria mais atenção, então ficou assim. Porém, antes de iniciar de fato, gostaria de excluir de antemão as datas de aniversário – não que eu as ame, pois nunca comemoro quando fico um ano mais velho. É bem verdade que meus pais nunca me fizeram festinhas de aniversário, e isto, na infância, foi um drama, mas é algo que já superei. De toda forma, não vejo muitos motivos para comemorar um ano a mais que, na prática, significa um ano a menos. Sei que queremos viver o máximo possível (ou não), e que atingir uma idade avançada é uma vitória (ou não), mas ao mesmo tempo em que vivemos cada vez mais, teremos cada vez menos dias pela frente. Também gostaria de excluir desse texto de ódio o dia da mulher, o dia da consciência negra, o dia do índio, e tantas outras datas importantes que existem para nos conscientizar de algo. Enfim, dito isso, podemos começar.

Odeio datas comemorativas: dia dos pais, dia das mães, dia das crianças, páscoa, dia dos namorados, natal. Todas elas com o intuito de nos fazer consumir, diferentemente das datas citadas no parágrafo acima, que existem para nos vender pensamentos, pois nos fazem refletir sobre algum acontecimento ou situação que devemos mudar. É bem difícil fugir dessas datas organizadas pelo comércio, podendo elas muitas vezes nos causar constrangimento e até mesmo sofrimento sem que nos demos conta.

Na infância, foram pouquíssimos os anos em que meus pais tiveram condições de comprar ovos de páscoa para mim e minha irmã. Sei que os religiosos hão de dizer que esse não é o sentido da data e que devemos comemorar a ressurreição de Cristo e blá blá blá, mas tente explicar isso para uma criança que vê por todos os lados a celebração do coelhinho da páscoa e não de Jesus. Junto à minha irmã, sofri por não ganharmos chocolate enquanto todas as outras crianças esbanjavam seus doces e, embora nunca tenham dito nada, sei que meus pais sofreram também por não estarem em condições financeiras de comprar o maldito ovo. Tudo culpa do comércio que fez disso uma tradição, subvertendo totalmente o sentido dessa data religiosa. Hoje, é como se a páscoa não existisse para mim, primeiro porque sou ateu, e segundo porque não como mais chocolate. O mesmo vale para o natal, mas as duas, aliadas ao capitalismo, continuam oprimindo muitas pessoas, religiosas ou não.

Ainda quando criança, eu tive de enfrentar o famigerado 12 de outubro, que também não foi uma data muito comemorada por mim, mesmo que meus pais nunca tenham deixado passar em branco. Acontece que eles se aproveitavam do dia das crianças para nos comprar roupas e calçados. Juntamente com a festa de final de ano, essa era uma das poucas ocasiões em que ganhávamos roupas novas e todos nós sabemos que, com pouca idade, tudo o que queremos ganhar são brinquedos. Não conseguia considerar as roupas como presentes de dia das crianças porque não era o que todos os meus amigos ganhavam. Enquanto isso, minhas roupas novas ficavam guardadas à espera de compromissos teoricamente importantes, como as festas de aniversário dos outros.

Minha irmã, que nasceu em um dia 13 de outubro, coitada, só ganhava um presente pelas duas datas. No entanto, justiça seja feita, tínhamos brinquedos, embora nunca fossem caros – minha irmã tinha suas bonecas enquanto eu os meus bonecos (nunca gostei muito de carros). Porém, eles quase nunca eram adquiridos no dia das crianças, e sim em outras datas do ano, quando meu pai tinha algum dinheirinho extra. Alguns anos atrás, minha mãe me confessou que se sentia triste por nunca ter comprado uma ótima boneca para minha irmã e que, hoje, quando ela tem condições para fazer isso, minha irmã já é uma mulher.

Tento lembrar dos anos em que meus pais se esforçaram para nos dar roupas e brinquedos no dia das crianças, mas só consigo me recordar de uma ocasião, embora eu acredite que tenham acontecido outras vezes. Foi um ano em que meu pai nos comprou celulares de mentira, eles eram pretos e reproduziam sons diferentes em cada botão. Contudo, ganhávamos brinquedos de tios e tias às vezes e, em um belo dia, parei de recebê-los: havia deixado de ser criança. Não sei quantos anos eu tinha, se onze ou doze. Minha irmã, mais nova que eu, continuou a ganhar por alguns anos e, mesmo eu ainda me considerando uma criança, tive que, à revelia, me enxergar como um adolescente.

De forma alguma eram só nessas datas que minha irmã e eu sofríamos. Em maio, havia o dia das mães e em agosto, outra aflição com o dia dos pais. Criança não trabalha, logo, não tem dinheiro. Se uma criança presenteia alguém é porque algum adulto pagou por isso. Durante todo o tempo em que minha irmã e eu não trabalhamos para ganhar nosso próprio dinheiro, meu pai nunca tinha algum sobrado para que pudéssemos comprar algo no dia das mães e minha mãe também nunca tinha dinheiro para que pudéssemos presentear nosso pai em agosto. Todo esse martírio se repetia nas datas de aniversário deles e, mesmo criança, eu me sentia muito constrangido por dar sempre uma cartinha ou um bilhete. Finalmente, hoje esse constrangimento acabou.

O dia dos namorados é duplamente cruel. Nesta data, quando você não está namorando, é inevitável não se sentir carente enquanto todos os outros parecem estar felizes com seus parceiros e parceiras. Só passei a comemorar o dia dos namorados há três anos. Durante duas décadas, nunca estive namorando alguém no dia 12 de junho. Batia sempre aquele sentimento de azar no amor. De toda forma, foi importantíssimo para que eu aprendesse o verdadeiro valor de amar a si mesmo. Não dá para amar alguém se você não se amar primeiro – é um clichê, mas é verdade. Ao estar namorando no dia dos namorados, data criada apenas para estimular o consumo, acabamos criando toda uma expectativa para comemorar um dia perfeito. É aquela obrigação de dar o melhor presente, de sairmos e ainda realizar a melhor transa da vida. Toda essa expectativa praticamente só gera frustração e basta que apenas uma coisinha não aconteça conforme o planejado para que se estrague tudo. Já não basta o aniversário de namoro? Tem que existir duas datas para se comemorar a mesmíssima coisa?

Quando minha mãe aniversaria, além de presenteá-la e comemorar mais um ano ao seu lado, festejo o fato dela ser minha mãe. O mesmo vale para o meu pai. É para isso que servem os aniversários. Recentemente, novas datas estão começando a virar tradição: o dia do amigo, do irmão, dos avós e por aí vai. Muito em breve, o comércio estará se apossando delas e agregando-as ao seu calendário de datas comemorativas. Virão promoções e, logo logo, serão datas comerciais também. Não vejo sentido no dia do irmão, do amigo e nem dos avós. Quando minha irmã faz aniversário, já comemoramos o fato de sermos irmãos, pois, se não fossemos, não estaríamos comemorando tal data juntos. O mesmo se aplica para os meus amigos e avós. Sem contar que prefiro muito mais os presentes que ganho em dias comuns (são tão mais sinceros!). Eu particularmente adoro presentear sem motivo.

Os dias dos pais e das mães já me foram cruéis e hão de ser ainda mais quando eles não estiverem mais vivos. Em julho deste ano, minha família comemorou o dia dos avós sem meu avô, que havia morrido apenas dois meses antes. Ano que vem, ele não estará comigo no dia de seu aniversário e a data de sua morte vai doer igualmente, porém, são datas privadas. Tem mesmo que existir o dia dos avós para me fazer, além do dia a dia, sentir uma enorme e dolorosa saudade dele? Que tipo de pessoa precisa de uma data marcada para expressar amor e gratidão aos entes queridos? É realmente necessário que essas datas existam? Sei que não temos como fugir de aniversários, mas não há motivos tão importantes assim para se criar datas para tudo. Prefiro o dia do livro, da árvore e do cinema brasileiro em detrimento ao dos avós e do irmão, mas não sou eu quem cria as datas comemorativas, infelizmente.