fernanda montenegro em 23 imagens

Sempre que me perguntam qual o meu ator favorito, eu hesito em responder. Vários grandes nomes me veem à cabeça: José Dumont, Raul Cortez, Paulo Autran, Paulo José. Nunca consigo me decidir entre eles e outros que eu sempre esqueço e só lembro depois. Mas em toda a minha vida eu nunca tive uma resposta diferente para quando perguntam quem é a minha atriz favorita: não tem como não responder Fernanda Montenegro.

Não acompanho telenovelas, então raramente vi seus trabalhos feitos para a TV. Minha admiração por ela surgiu mesmo com seus personagens cinematográficos. Quando ‘Central do Brasil’ foi lançado lá em 1998, eu tinha cinco anos de idade. Desde então, o filme passou repetidas vezes na TV. Acho que só não continuou passando tantas vezes porque anos depois perderia esse lugar cativo na programação para ‘O Auto da Compadecida’ que, por coincidência ou não, também tem Fernanda Montenegro no elenco. Esses são os filmes que eu mais vi na vida e a maioria das vezes foi na infância. Quando os assisto hoje, principalmente ‘Central do Brasil’, eu me transporto para um passado não tão distante assim, quando meus pais não me permitiam brincar na rua com os outros garotos. Durante o dia, brincava no quintal sozinho com vários “eus” que criava na minha cabeça. Ficava muito triste quando anoitecia porque tinha de entrar em casa, já que no quintal não havia luz elétrica. Com o passar dos anos, o quintal foi perdendo para os filmes que passavam na TV a tarde. Eu achava cada vez mais interessante ver filmes do que fazê-los na minha cabeça enquanto brincava no quintal.

Durante muitos anos, ‘Central do Brasil’ também foi meu filme favorito. Hoje ele perdeu esse lugar de número um, mas continua especial, talvez até mesmo o mais especial de todos. Quando o revejo e identifico todas as vertentes do cinema clássico em sua produção, sei que aquele não é o tipo de cinema no qual eu me reconheço, mas foi e é um filme muito importante em minha vida, sendo um dos responsáveis por me fazer ter vontade de estudar a fundo o cinema brasileiro.

Há menos de um mês eu o revi novamente. Dessa vez com meu pai que nunca o havia assistido completamente. Tenho que confessar uma mania (seja lá qual nome se dá a isso), mas quando mostro a alguém um filme que já vi, geralmente eu não presto muita atenção no filme para ficar vendo as reações da pessoa. O cinema tem essa magia de sugar as pessoas para dentro da fantasia e fazer com que elas esqueçam da vida ao redor. Magia essa que não tem mais efeito em mim. É que estudantes e profissionais de cinema (não todos) geralmente perdem a ingenuidade do olhar, passando então a enxergar o processo de feitura do filme. Confesso que, no começo, isso parece bastante assustador, mas com o tempo se descobre que essa forma de assistir também é divertida. Então, como eu sempre chamo pessoas que não estão ligadas ao cinema para ver esses filmes que eu gosto, elas acabam hipnotizadas com a estória, facilitando com isso o meu processo de observação das reações de quem assiste. Mas é claro que faço isso da forma mais discreta possível. Ninguém nunca nota. Enfim, não sei como cheguei a essa curva em um texto sobre Fernanda Montenegro, então voltemos a ela.

Em 2011, Antônio Abujamra (saudades Abu!) entrevistou Antônio Fagundes em seu programa Provocações e perguntou que bom artista brasileiro, na opinião dele, se deu mal na vida. Fagundes pensa um pouco e responde: Fernanda Montenegro. Abujamra parece ter ficado um pouco surpreso com a resposta ao que Fagundes justificou dizendo que se Fernanda fosse de outro país ela seria endeusada por todos por onde ela passasse. Ele aponta que aqui no Brasil ela não é devidamente valorizada. O reconhecimento que ela teria aqui ainda seria pouco. Para Fagundes, ela deveria ser aplaudida de pé em qualquer lugar que passasse. Já achava isso antes mesmo de vê-lo falar no assunto. Fernanda ainda está entre nós e, mesmo prestes a completar oitenta e seis anos de vida, continua na ativa, trabalhando intensamente, nos brindando com sua arte.

Além das vinte e três imagens, deixo com vocês a parte da entrevista em que Abujamra faz a pergunta que lhes falei. Mas aconselho a assistir as outras partes, pois elas também valem a pena. Até a próxima, abraçaço.

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Não sei quem são os fotógrafos responsáveis pelas fotos, mas se você conhece ou fotografou alguma delas, é só deixar o nome com o número da foto para que sejam devidamente creditados.

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6 Comentários

  1. Caraaaa, eu tenho um carinho, amor especial por esta mulher.
    Máximo respeito, por tudo o que ela nos mostrou através das suas obras.
    Tudo o que eu disser não é nada perto do que ela é.

    TUDO!
    Dona fernandona, SAÚDE e SAÚDE!

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  2. A primeira posição já conquistou meu coração. AMO “A falecida”, que filme sensível, sensacional <3 na verdade todas as fotos são maravilhosas, concordo com a pessoa acima: também tenho um amor especial pela Fernanda. Ano passado reassisti "Central do Brasil" e nunca me lembro de ter chorado tanto em um filme. Acho que é um filme que exige ser visto mais de uma vez, há tantos cantinhos não explorados, coisas a serem descobertas. Você já assistiu "Do outro lado da rua"? É um dos últimos filmes dela, muito bom, com o Raul Cortez. Um abraço!

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    • Olá Martha, eu já assisti sim ‘O Outro Lado da Rua’, é maravilhoso. E nem é tão recente assim, depois dele ela já fez dez filmes, mas é sem dúvida um dos melhores dela. E concordo com você que ‘Central do Brasil’ tem que ser visto mais de uma vez. Eu, por exemplo, vejo todo ano. Forte abraço.

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  3. Só pelo título preferi não ler o texto, não tenho muito apreço por ela. Talvez leia depois (porque acho interessante sua opinião acerca do mundo), mas não sei se passarei a vê-la com outros olhos. Abraço :)

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  4. Adorei esse teu texto, acho que se tornou meu preferido aqui do blog. Eu a acho uma Deusa!

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