como seria o mundo sem a bahia?

Para vocês que leram E se eu não tivesse escrito esse texto?, esse é o que eu posso chamar de parte dois. Vocês hão de me perguntar: mas Jaírlos, você não disse que iria evitar ficar pensando em coisas que não podem acontecer? Sim, eu evito, mas essa pergunta vai muito além de um simples “e se não existisse Bahia?”. É a mesma pergunta feita de um jeito diferente: você Leitor, já imaginou como seria o mundo sem a Bahia?

Eu pergunto, mas nem de longe sou a pessoa mais ideal para responder. Não sou baiano, entretanto tenho um fascínio enorme pela Bahia e só consigo pensar o quanto o mundo perderia sem ela e o quanto o Brasil seria mais pobre. Para começo de conversa, nosso cinema seria muito mais apagado e bem menos respeitado no mundo. O maior cineasta desse país foi e sempre será Glauber Rocha. Já imaginou a filmografia brasileira sem ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’ e ‘Terra em Transe’?

E a dramaturgia seria igualmente modesta. Nosso cinema não teria Antonio Pitanga, Geraldo Del Rey e Othon Bastos. E o cinema marginal não teria Helena Ignez, sua maior estrela. A nova geração também perderia grandes nomes como Lázaro Ramos e Wagner Moura. Você consegue imaginar outra pessoa como Capitão Nascimento?

Não teríamos Milton Santos e Carlos Marighella, e nem os escritores Gregório de Matos, Castro Alvez, João Ubaldo Ribeiro e Jorge Amado. Não teríamos Gabriela, nem Dona Flor e nem seus dois maridos. E o que dizer de Tieta? Consegue sentir como o nosso imaginário popular seria bem mais carente?

E quando o assunto é música, caríssimos, o prejuízo seria ainda maior. Só para início de conversa, não teríamos Tom Zé, Caetano Veloso e Gilberto Gil. A pergunta que fica disso é a seguinte: teria existido tropicalismo? E tem mais, todos sabemos do caso da bossa nova com o Rio de Janeiro, é algo que não dá para negar, mas que fica difícil imaginar a bossa nova sem João Gilberto, fica.

Sem esses quatro a música brasileira já não seria o que é, mas a facada não para por aí, ainda temos (ou não teríamos) Dorival Caymmi, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Carlinhos Brown e Waldick Soriano. E me diga, Leitor(a), o que é que a Bahia tem? Tem Gal Costa, Daniela Mercury, Astrud Gilberto, Ivete Sangalo, Karina Buhr, Maria Bethânia, Margareth Menezes e o que para mim é a cereja do bolo: as bandas de rock.

Muitos só conseguem enxergar os trios elétricos e se esquecem que Raul Seixas, o eterno pai do rock brasileiro era baiano. Além de Marcelo Nova que com o Camisa de Vênus fez história nos anos 80. Mas nem só de glórias passadas vive o rock baiano, além das bandas Cascadura, Vivendo do Ócio e Maglore, temos Pitty, que é a maior representante do rock da atualidade. Ela já está a mais de dez anos nesse posto e parece que ainda vai ficar por muito tempo nele.

Eu sei que eu esqueci de muita gente (alguns intencionalmente), afinal, não dá para passar o dia todo citando nomes e nomes. Eu me limitei a falar de quem gosto e acho que ainda assim deu para ter uma noção do estrago que seria para a nossa cultura. Agora vou me aquietar e prometo tentar não perturbar mais vocês com minhas súbitas crises de “e sismos”. Até a próxima.

Abraçaço

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4 Comentários

  1. O Nordeste, e em especial a Bahia, foi muito bem representado pelas suas palavras que, por sinal, assino embaixo.
    Uma baiana, anônima e comum, se apresentando para agradecer às suas bem projetadas elucubrações que, insisto, deveriam ser continuadas.
    “Abraçaço” também baiano, rsrsrsr… Valei-me Caetano!!!

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    • Obrigado pelas palavras. Continuo imaginando como seria o mundo sem a Bahia, semana passada estava conversando com uma amiga justamente sobre isso. Talvez um dia volte a escrever usando outro estado nordestino como exemplo. Mais uma vez obrigado e “Aquele Abraço”! Salve, Gil!

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      • Só acho que deveria existir uma maior interdisciplinaridade entre as universidades, afinal, vc poderia vir pra cá por um semestre e vivenciar a Bahia e a UFBA em toda a sua verve. Já pensou como seria a sua vida de cineasta pós Bahia? Hahaha
        Beijo

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    • Seria ótimo se isso fosse possível. De certa forma até é, mas a burocracia dificulta muito. No entanto, se tenho certeza de algo, é de que algum dia ainda filmarei na Bahia. É esperar pra ver :) Bjs

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