sono da morte

Já li tudo que se pode imaginar sobre sono, é um assunto que me interessa muito. Nessas pesquisas já descobri muita coisa; se são verdadeiras ou não, eu não sei, mas testo todas pelo menos uma vez. Já li que dormir pelado traz benefícios ao organismo, porque ao dormir, nossa temperatura corporal diminui e o corpo relaxa. Se estivermos de pijama, esse processo pode ser interrompido e demora mais tempo para acontecer. Isso significa um sono menos profundo. Também relacionado a essa queda de temperatura, já li que é bom dormir com os pés para fora do cobertor, já que a pele dos pés e das mãos são as únicas que possuem estruturas vasculares responsáveis pela diminuição de calor. Mas eu não consigo dormir com os pés descobertos. Costume de criança, de quando eu achava que se não os cobrisse, um monstro me pegaria pelos pés quando estivesse dormindo. O medo dos monstros foi embora, mas o hábito ficou.

Também já encontrei muita coisa repetida que parece até copiada de site para site. São aqueles clichês de sempre: que devemos praticar atividades físicas regularmente, criar uma rotina de sono e dormir entre seis e oito horas por dia, não ingerir comidas pesadas no jantar e antes de dormir, cortar a cafeína durante o período da noite, aderir aos chás, já que a maioria tem um efeito calmante, como é o caso da camomila, escolher colchão e travesseiros adequados, não usar aparelhos eletrônicos quando estiver próximo de ir dormir (e nunca usá-los quando já estiver deitado), evitar situações que possam gerar ansiedade, e por aí vai.

Outro assunto relacionado que me interessa é a questão dos sonhos lúcidos. Ah, como eu os odeio. Para quem não conhece, sonho lúcido é aquele que você sabe que está sonhando. A maioria das pessoas (como é o meu caso) acorda ou tem o sonho imediatamente interrompido quando descobre, no meio do sonho, que está sonhando. Algumas pessoas conseguem ter sonhos lúcidos com muita frequência (o que também é o meu caso) e inclusive permanecer neles.

Nunca tive um sonho lúcido bom, são sempre próximos de um pesadelo. Hoje não me assusto mais, porque a vantagem deles é justamente saber que estamos sonhando. Embora consiga permanecer neles, nunca faço questão, e começo um processo (que não sei explicar) para acordar o mais rápido possível. Às vezes consigo logo, mas também acontece de demorar. Quando demora, a sensação é de uma eternidade, mas nunca vou saber realmente quanto tempo se passou.

Alguns pesquisadores identificam sonhos lúcidos como outro estado de consciência, e que uma em cada cinco pessoas tem pelo menos um sonho lúcido por mês. Quem se interessou, saiba que a vitamina B6 pode aumentar as suas chances. Esta é encontrada em alguns alimentos como a batata, a banana, pães e arroz integral, alho, abacate, gema de ovo, limão, leite e aveia, por exemplo.

Eu juro a vocês que tudo isso que escrevi não é absolutamente nada do que eu queria falar. Mas cá entre nós, se me acompanhou até aqui, já deve ter se acostumado com minhas digressões. Eu queria mesmo era falar de outra pesquisa que li: a de que a preguiça pode ser, e é muitas vezes um fator genético. Vejo hoje que isso faz sentido, já que sou filho de um homem muito dorminhoco. O que me faz ter pena dos filhos que pretendo ter no futuro. Gostaria de ter puxado os genes da minha mãe, que dorme pouco e tem sono leve. Tais características que deveriam ter vindo para mim, foram para a minha irmã.

Minha mãe sempre diz que a Preguiça é minha melhor amiga, mas é quando ela diz que tenho o sono da morte (seja lá o que isso quer dizer) que me sinto bem representado. Até pesquisei sobre o tal sono da morte pensando que poderia ser um ditado popular, mas tudo que encontrei foram sites religiosos que falam de apocalipse. Nem me dei ao trabalho de acessá-los, tamanho é o meu desinteresse por conteúdos religiosos.

No entanto, outras pesquisas também me deixam confuso. Algumas dizem que dormir menos de seis horas ou mais de oito horas diárias pode envelhecer o cérebro em até sete anos, já que isso aumenta a velocidade do declínio cognitivo e afeta algumas habilidades, como o raciocínio. O que eu queria saber era o que acontece com quem faz as duas coisas, como eu que durmo menos de seis horas durante a semana e mais de oito nos fins de semanas, feriados e férias. Quer dizer que meu cérebro vai envelhecer quatorze anos? Me sinto um velho só de imaginar.

A única conclusão que posso tirar disso é que gosto muito de dormir, e se não durmo mais é por falta de tempo. Não importa o quanto eu durma, nunca me sinto satisfeito. E mesmo quando posso dormir sem hora para acordar, acabo me policiando, porque sei que vou me arrepender por ter dormido demais. As pesquisas me deixam confuso, mas a verdade é que eu é que sou uma pessoa caótica. Como diz Jô Soares: “Eu adoro dormir. O que eu não gosto é de ir dormir”.

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4 Comentários

  1. Muito bom! Também adoro dormir! As vezes até gosto de ir dormir. As vezes… Mas será que o que chamam de preguiça pra você não seria simplesmente uma diferença no fuso??

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  2. Sempre me julguei como alguém que nunca gostou de dormir, apesar de adorar sonhar todo tipo de sonho (exceto aquele que me faz acordar com dor de cabeça), mas confesso que essa frase atribuída ao Jô Soares me fez ponderar sobre meu autoconceito.

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  3. Eu nunca me senti tão representado num texto, como eu senti nesse teu. Tenho as mesmas indagações e até minha última postagem eu comento o fato da minha vida acadêmica ter destruído a minha rotina de sono. Leio bastante sobre o assunto e me parece que quanto mais leio, com mais pulgas atrás das orelhas, fico!

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