tom zé em 23 imagens

“Vocês não sabem, mas o Chico Buarque é o meu verdadeiro pai”, diz Cássia Eller em seu Acústico MTV ao final da música “Partido Alto”. Nenhuma outra frase seria tão eficiente para deixar claro tamanha identificação da roqueira com as letras de Chico.

Ela sendo cantora, nada mais natural do que escolher outro para comungar da sua arte. Como tenho muitos pais na literatura, acabo não sendo filho de ninguém. E fazendo cinema eu até poderia fazer essa afirmação com Glauber Rocha, mas, na verdade, é com um músico que me sinto mais à vontade de falar isso: Tom Zé é o meu verdadeiro pai.

Sou um homem de extremos e minhas declarações são igualmente intensas. É por isso que considero e afirmo sem medo nenhum que para mim Tom Zé é o maior músico-compositor-cantor que existiu, e sei que enquanto for vivo não conhecerei outro gênio da música como ele. Tenho ídolos do cenário musical que são tão importantes para mim quanto ele, mas seus discos são um aprendizado infinito que nos outros não consigo encontrar em tão grande escala. Eles têm sempre uma letra que eu julgo entender, mas que anos depois, mais amadurecido, descubro que está falando de outra coisa. São sons escondidos que apenas com muita atenção se mostram aos seus ouvintes, músicas de protesto que são tão inteligentes que fazem até os criticados cantarem sem saber seu real sentido. Suas letras contra a ditadura militar não foram barradas por serem tão engenhosas a ponto de driblar qualquer censor. E ainda tem o que considero a maior tiração de onda já feita na cara dos militares, que foi a capa do disco ‘Todos os Olhos’, apresentando a foto de um ânus que durante muito tempo enganou a todos que julgavam ser uma boca. Tudo isso para um cara que diz fazer música pensando na classe C, pensando em ser popular e atingir a todos. Quem dera todos que fizessem música popular fizessem músicas tão complexas quanto às dele.

E que fique claro, bem claro, que Caetano Veloso e Gilberto Gil são outros mestres da música para quem tiro o chapéu. Entretanto, o maior tropicalista foi, é, e sempre será Tom Zé. O disco-manifesto ‘Tropicalia ou Panis et Circencis’ revolucionou a música brasileira sem precedentes e é sim um dos marco-zeros da história da nossa música. Considerar um disco melhor que outro não é de jeito nenhum denigrir ou rebaixar o outro. E é agarrado nisto que eu confesso que gosto mais de ‘Tropicália Lixo Lógico’ do que de ‘Tropicalia ou Panis et Circencis’. É Tom Zé em sua melhor fase, mostrando a tropicália em estado puro. Uma evolução que nenhum dos outros tropicalistas foi capaz de conquistar. Sem falar que ele foi o único deles capaz de entender e pensar como a Geração Y. E com o seu último disco, o ‘Vira Lata na Via Láctea’, lançado no ano passado, só mostra o quanto ele está cada vez mais próximo da Geração Z.

Ao escolher fazer esse post sobre ele eu dei um verdadeiro tiro no pé. Tenho outro blogue chamado Tom Zé Mané onde reúno videoclipes, entrevistas, e claro, fotos. O blogue também tem um perfil no Instagram. Ao colocar esse projeto no mundo reuni o máximo de fotos que consegui encontrar e estou sempre à procura de novas. Ou seja, eu sabia que seria muito difícil escolher apenas vinte e três. Mas eu não poderia deixá-lo de fora, então decidi sofrer. Inclusive, esse foi o único post deste blogue até agora que não consegui escrever de uma vez. Recomecei umas quatro, cinco vezes e ainda não me dou por satisfeito, mas tenho que seguir em frente e passar para outro. Vou me arrepender mil vezes com as imagens que não entraram, mas como falei no post do Silvio Santos, listas existem para deixar gente de fora. Eu poderia fazer vinte e três posts do Tom Zé no 23 Imagens, mas esse será o único.

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Não sei quem são os fotógrafos responsáveis pelas fotos, mas se você conhece ou fotografou alguma delas, é só deixar o nome com o número da foto para que sejam devidamente creditados.

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3 Comentários

  1. olhosnasbocas

     /  22 de outubro de 2015

    Viva Tom Zé, hoje e sempre!
    Obs: também acho o Tropicaliaq

    Curtido por 1 pessoa

    Responder
  2. olhosnasbocas

     /  22 de outubro de 2015

    Continuando comentário que comecei e não consigo apagar, pois sou novo no wordpress.
    Viva Tom Zé, hoje e sempre. Também acho o Tropicália Lixo Lógico, um puta disco genial alias “Tom Zé parece naturalmente inclinado a provocar”.
    Tenho minha admiração altamente declarada a Tom, principalmente em Estudando o Samba que ele interpreta uma música particularmente incrível a qual o artista que tanto gosto também tem seu único Tom (Jobim). Porém em Estudando o Pagode (na opereta Segrega Mulher e Amor) que eu me apaixonei de vez.
    Ainda tenho muito a descobrir a Tom que admira diversos grandes como “Torquato Neto / do Piauí Pinta no verso / do céu daqui”, enfim concordo com seu post, e espero muito mais ainda desse grande a qual não para de se reinventar.

    Curtido por 1 pessoa

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