férias pra quem?

Já estava ficando com saudade de vocês, mas agora que estou de férias vamos ter menos tempo ainda para conversar. Isso mesmo, eu não escrevi errado: o meu tempo será ainda menor. O que são trinta e um dias para quem está com as metas de um semestre inteiro atrasadas? Eu lhes repondo: não é nada! São filmes para ver, livros para ler, pesquisas para iniciar, roteiros para escrever, filme para pré-produzir, além das saídas com os amigos que já foram mais que adiadas. Não é fácil, caríssimos.

Geralmente, nas férias, realizamos projetos e metas pessoais, importantes ou não. É quando vamos finalmente ler aquele calhamaço que ficamos o semestre inteiro adiando enquanto líamos livros menores porque os intervalos de tempo também eram altamente inferiores. É também quando vamos terminar a filmografia daquele cineasta que a gente gosta e ouvir aquele disco que o amigo indicou lá em 2005. Ou seja, é quando nos damos conta de que precisamos de muito mais tempo, mais férias.

Na teoria, essa folga era para ser aquele período do ano em que também deveríamos ir ao médico para a realização de exames de rotina, já que não tivemos tempo para ir durante o resto do ano. Mas na prática, o que acontece? Terminam-se as férias e não realizamos nenhum procedimento alegando o mesmo motivo: falta de tempo. Ser humano é um bicho complicado mesmo.

Tento ao máximo não cair no “poxa, hoje não fiz nada, mas foda-se, eu estou de férias mesmo”. Tento mais ainda me manter longe de quem fala “menino, vai descansar, você está de férias”, que sempre vem acompanhada de um “você tem razão” da parte de quem escuta. São armadilhas perigosíssimas.

No entanto, nem sempre consegui entrar de férias no mês de julho. Na grande maioria das vezes sim. Até quando trabalhei em banco elas caíram em julho. É como se fosse uma extensão das férias escolares que parece me perseguir. Mas a sensação que tenho é de que em breve não será mais assim. E a cada ano que passa, não importa em que mês caiam, elas só me deixam insatisfeito por nunca conseguir fazer tudo o que planejo. Mas a culpa é toda minha, claro. Queria mesmo era ser desprovido de desejos e fazer como muita gente faz: não fazer nada e engordar.

Bom, a parte do engordar também serve para mim, mas para quem não? O difícil é saber que deveria estar descansando quando na verdade só me afundo nessa crise existencial. Não consigo ver esse período só como praia, festas e passeios. Na verdade eu nunca enxergo assim. Só consigo ver esse mês como um tempo para correr atrás do tempo perdido. Mas, como disse anteriormente, a culpa é minha. Estabeleço metas monumentais que se não forem batidas no “hoje”, considero que não serão batidas nunca mais. Com o tempo só se adquire mais responsabilidades e de nada vai adiantar ficar sempre empurrando com a barriga os projetos para as distantes férias do ano que vem.

Assim sendo, vou logo me despedindo, porque enquanto escrevo essas linhas, me sinto mal, já que a coisa mais importante que eu fiz hoje foi assistir a dois filmes. Um deles, inclusive, foi Carandiru, que eu revi mais uma vez, já que semana passada terminei de ler Estação Carandiru, livro do Drauzio Varella que inspirou o filme. Recomendo os dois. Enfim, amanhã já será o segundo dia de folga e logo mais só vão faltar dois dias para que esta acabe. Tenho um roteiro de curta-metragem para escrever até o dia 31 e ainda nem concebi a ideia. Mas ninguém disse que seria fácil.

Abraçaço

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4 Comentários

  1. Esse é exatamente nosso sentimento. E é impressionante que quanto mais tempo temos, menos tempo temos na verdade. Estranho, mas verdadeiro! Aproveite (se conseguir), e não se culpe, pois esse mal compartilhamos!!

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  2. Só de pensar em férias já fico cansado! Realmente são tantas coisas para fazer e colocar em dia, que não vejo o tempo passar e quando vejo, já passou. Mesmo assim, aproveita, Satã! As últimas férias que tive de trinta e um dias foi no começo de 2007!

    Curtido por 1 pessoa

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  3. bekinha11

     /  5 de julho de 2015

    Olá! Eu queria, na verdade, saber por que esse título? :)

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